sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Os romances de Louise

Os romances de Louise

     Hoje li em um título de Rubem Alvez a seguinte frase, “ostra feliz não faz pérola”, e a interpretação da mesma se encaixou perfeitamente em meu presente momento. Faziam alguns bons meses, quem sabe anos, em que não escrevia um bom texto, coisa que me era de costume pois vivia partindo meu coração em diversos pedaços. O que mudou para que isso acontecesse? Vou lhes contar.
     Meu nome é Louise Violet, uma homenagem a minhas duas avós, tenho 23 anos e apesar da pouca idade, minha vida poderia ser contada através dos amores que tive, todos devastadores, em diferentes aspectos, mas, devastadores. Minha face romântica e obviamente sofredora se iniciou na infância quando minha avó me contava as mais belas histórias das princesas que sempre encontravam seus príncipes e viviam felizes para sempre. Naquele momento concebi que teria que encontrar o meu príncipe para ter o meu final feliz, uma bela casa e belos filhos. Mas não irei me aprofundar em cada detalhe dos meus primeiros amores, sintetizando, dei meu primeiro beijo aos 11 anos de idade, foi horrível, desajeitado e infantil (o que era de se esperar pela idade), mas como era de se esperar, ficou marcado em minha vida. Sim, sempre fui muito precoce, mas de certa forma, sempre meus primeiros passos foram como que uma simples experiência e depois eu me aprofundava, me entregava, daí o estrago já estava feito.
     Meu primeiro namoro “sério” durou apenas 7 meses, eu tinha 16 anos e ele era 5 anos mais velho que eu, me apaixonei por ele, mas nada muito profundo, por isso não durou. E como aprofundamento conheci meu segundo namorado, quase três devastadores anos, onde me apaixonei, amei, sofri e fui feliz intensamente. Não guardo ressentimentos pois apesar de toda a dor que senti e do pedaço que de mim fora roubado, se a oportunidade tivesse, o faria novamente. Mas como disse, um vazio em mim foi deixado, um vão tão grande que nenhum de meus posteriores e curtos relacionamentos poderiam preencher ou curar, perdi algo em mim que não me permitia mais ter sentimentos profundo, acreditar no próximo ou em um final feliz, passei a ver a vida crua e rígida de sua forma mais tenebrosa. Momentos eram só momentos, nesse período não construí nenhuma história memorável ou que me trouxessem qualquer doce nostalgia, vivi, louca e friamente. Aquilo estava a me consumir, então clamei a todos os deuses e me fiz em pedaços novamente para que pudesse me recompor de forma que aquele vazio não estivesse mais ali, consegui. Não havia ninguém de especial em minha vida, foi então que me encontrei e me amei por inteira, ao colar cada pedaço, li as entrelinhas de minha vida e vi a pessoa maravilhosa que eu havia me tornado e não deixava que ela transparecesse, que outras pessoas pudessem vê-la, senti-la, apreciá-la. Passei a amar o mundo, todos, todas as suas histórias e sorrisos, me encantei novamente. Digamos que ai foi ondem meus problemas tornaram a aparecer.
     Em tudo na vida podemos constatar prós e contras, na fase de meu vazio não consegui explorar nenhum sentimento, entretanto, não me feri em momento algum, nada me atingia. E quando me encontrei completa, voltei a criar boas lembranças, mas me deparei com as dores novamente. Cá estou eu escrevendo esse texto, tentando me recompor por ter voltado a ser uma doce sonhadora, que cria histórias e expectativas. E por isso não me permito perder a fé de que apesar dos pesares, terei uma história, com príncipe ou não, morando em uma bela casa ou um simplório apartamento, mas contarei ela para os meus filhos com muito amor todos os dias, pois no fim só eles poderão contar o quanto fui feliz…

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