Os
romances de Louise
Hoje li em um
título de Rubem Alvez a seguinte frase, “ostra feliz não faz
pérola”, e a interpretação da mesma se encaixou perfeitamente em
meu presente momento. Faziam alguns bons meses, quem sabe anos, em
que não escrevia um bom texto, coisa que me era de costume pois
vivia partindo meu coração em diversos pedaços. O que mudou para
que isso acontecesse? Vou lhes contar.
Meu nome é Louise
Violet, uma homenagem a minhas duas avós, tenho 23 anos e apesar da
pouca idade, minha vida poderia ser contada através dos amores que
tive, todos devastadores, em diferentes aspectos, mas, devastadores.
Minha face romântica e obviamente sofredora se iniciou na infância
quando minha avó me contava as mais belas histórias das princesas
que sempre encontravam seus príncipes e viviam felizes para sempre.
Naquele momento concebi que teria que encontrar o meu príncipe para
ter o meu final feliz, uma bela casa e belos filhos. Mas não irei me
aprofundar em cada detalhe dos meus primeiros amores, sintetizando,
dei meu primeiro beijo aos 11 anos de idade, foi horrível,
desajeitado e infantil (o que era de se esperar pela idade), mas como
era de se esperar, ficou marcado em minha vida. Sim, sempre fui muito
precoce, mas de certa forma, sempre meus primeiros passos foram como
que uma simples experiência e depois eu me aprofundava, me
entregava, daí o estrago já estava feito.
Meu primeiro namoro
“sério” durou apenas 7 meses, eu tinha 16 anos e ele era 5 anos
mais velho que eu, me apaixonei por ele, mas nada muito profundo, por
isso não durou. E como aprofundamento conheci meu segundo namorado,
quase três devastadores anos, onde me apaixonei, amei, sofri e fui
feliz intensamente. Não guardo ressentimentos pois apesar de toda a
dor que senti e do pedaço que de mim fora roubado, se a oportunidade
tivesse, o faria novamente. Mas como disse, um vazio em mim foi
deixado, um vão tão grande que nenhum de meus posteriores e curtos
relacionamentos poderiam preencher ou curar, perdi algo em mim que
não me permitia mais ter sentimentos profundo, acreditar no próximo
ou em um final feliz, passei a ver a vida crua e rígida de sua forma
mais tenebrosa. Momentos eram só momentos, nesse período não
construí nenhuma história memorável ou que me trouxessem qualquer
doce nostalgia, vivi, louca e friamente. Aquilo estava a me consumir,
então clamei a todos os deuses e me fiz em pedaços novamente para
que pudesse me recompor de forma que aquele vazio não estivesse mais
ali, consegui. Não havia ninguém de especial em minha vida, foi
então que me encontrei e me amei por inteira, ao colar cada pedaço,
li as entrelinhas de minha vida e vi a pessoa maravilhosa que eu
havia me tornado e não deixava que ela transparecesse, que outras
pessoas pudessem vê-la, senti-la, apreciá-la. Passei a amar o
mundo, todos, todas as suas histórias e sorrisos, me encantei
novamente. Digamos que ai foi ondem meus problemas tornaram a
aparecer.
Em tudo na vida
podemos constatar prós e contras, na fase de meu vazio não consegui
explorar nenhum sentimento, entretanto, não me feri em momento
algum, nada me atingia. E quando me encontrei completa, voltei a
criar boas lembranças, mas me deparei com as dores novamente. Cá
estou eu escrevendo esse texto, tentando me recompor por ter voltado
a ser uma doce sonhadora, que cria histórias e expectativas. E por
isso não me permito perder a fé de que apesar dos pesares, terei
uma história, com príncipe ou não, morando em uma bela casa ou um
simplório apartamento, mas contarei ela para os meus filhos com
muito amor todos os dias, pois no fim só eles poderão contar o
quanto fui feliz…
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